Aves de Angola

do Alto Catumbela à Catumbela

peito-celeste (Catuítuí)

siripipi (rabo-de-junco), Catuítuí (peito-celeste), ongwalukwo (pica-peixe)
...ombovo (rola de manchas azuis), kuti (rola turca), onende (rola do senegal)...sacajué,
ohanga (capota ou galinha do mato), java (pato ferrão)...
...tchinguengue (piriquito do Cunene, agapornis catumbella), omangula (pica-pau)

bico de lacrebeija-florbeija-flor
São cerca de 900 as espécies de aves conhecidas em Angola, muitas das quais se repartem, geograficamente, em duas ou mais subespécies.

Angola é uma das mais ricas regiões do mundo em espécies de aves, o que se deve menos à vastidão dos seus 1.246.700km2 do que à variedade ambiental. De facto, no seu território verifica-se o ponto de encontro de três sub-regiões faunais distintas: a ocidental, a oriental e a austral, com os mais diversificados tipos de habitat, desde o deserto até à floresta montana.

Foi em 1866 que Anchieta se fixou em Benguela, contratado pelo Governo Português, e enviou a primeira remessa de aves para o prof. José Vicente Barbosa du Bocage. Actualmente, o Museu Bocage, em Lisboa, exibe 4.386 exemplares de 460 espécies, 46 das quais novas para a ciência.
Java
siripipi
"Siripipi" aparece pela primeira vez, em 2003, no Dicionário de Português da Porto Editora. Este, ou outros nomes do umbundo, dificilmente se encontram em enciclopédias. 

António Augusto da Rosa Pinto, em Ornitologia de Angola, refere o
Rabo de Junco de Rabadilha Vermelha, Colius Castanotus, em umbundo Osipipi, como uma das espécies mais comuns em Angola. Muito semelhante ao Rabo de Junco de Peito Barrado, distingue-se por uma mancha acanelada no dorso e plumagem geral mais escura. Além disso, não tem o estriado no peito e toda esta região, incluindo a garganta, é acinzentada, com o abdómen de um fulvo mais pálido que a espécie Colius striatus (Rabo de Junco de Peito Barrado).

Os siripipis voam em pequenos bandos de 5 a 8, comunicando continuamente com notas assobiadas estridentes. Batem as asas de forma esforçada, para voar com uma longa cauda de mais de 20cm. Alimentam-se quase exclusivamente de frutos. São gulosos, capazes de fazer um buraco num mamão, entrar e continuar a comer.

O siripipi existe somente em Angola, na metade ocidental, ao sul do Zaire, até ao paralelo de Moçâmedes. Nunca foi assinalado a leste do rio Cunene, nem na província do Bié.



Peito-celeste
"Uraenghitus angolensis" é o nome científico do Peito Celeste, em umbundo Catuitui, outra das espécies mais comuns em Angola. Distingue-se do Uraeginthus bengalus, Peito Celeste de Face Carmezim ou Cordonblue, por não possuir as manchas vermelhas nas faces, que caracterizam o macho dessa espécie.

Em geral, vive em pequenos bandos, em campo aberto ou lavras, próximo das localidades, ou mesmo dentro delas. Constrói o ninho no mato seco, mas pode ser encontrado no colmo das cubatas. Por vezes, ocupa ninhos abandonados de Tecelões .

Tem uma alimentação muito variada, de insectos, pequenas sementes e verduras.

cardealTecelãoNinho de TecelãoTecelão


Flamingopica-peixe

A hora do sol posto
as rolas traçam
desenhos de feitiços sinuosos

caminhos sob a calma das mulembas
e abraços de segredos e silêncios.

...longe...muito longe
um risco brando
acorda os ecos dos quissanjes
vermelho como o fogo das queimadas
com imagens de mucuisses e luar.rola (ombovo)

Canções que os velhos cantam
murmurando.

e nos homens cansados de lembrar
a distância vai calando mágoas.

renasce em cada braço
a força de um secreto entendimento.

CONTRATADOS, Costa Andrade, 1959
Selos de Angola

Actualizado no dia 23 de Março de 2004 Regressar ao Alto Catumbela
Referências:
António Augusto da Rosa Pinto, Ornitologia de Angola - Apesar de editada em 1983, esta publicação ainda pode ser adquirida directamente no CDI, através do fax 21 362 82 18, telefone 21 361 97 30 ou pelo e-mail cdi@iict.pt. Também pode ser adquirida na Imprensa Nacional, Casa da Moeda ou na Livraria Portugal. Pesa quase 4 Kg e tem mais de 800 páginas.